21% dos Portugueses

 

Portugal, apesar de pertencer ao lote de países mais desenvolvidos, continua a apresentar números de pobreza absoluta muito semelhantes aos países sub-desenvolvidos, o que coloca o nosso país na cauda da Europa em questões de exclusão social – 21% dos portugueses encontram-se nessa situação. Ontem, em Braga, a vice-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz falou sobre políticas públicas de combate à pobreza e manifestou algumas perplexidades sobre esta matéria.

“No nosso país, fala-se mais de pobreza do que de exclusão social porque estamos mais habituados a viver com ela, o que nos leva a perder sensibilidade para este fenómeno”, sublinhou Manuela Silva. Esta atitude está a fazer “com que os pobres fiquem resignados com a sua pobreza e os não pobres considerem-na uma fatalidade, atribuindo a pobreza aos próprios pobres”. A professora jubilada conclui, por isso, que “esta visão predispõe uns e outros a não enfrentarem este problema”.

Nesta altura há dois milhões de pessoas, em Portugal, a viver abaixo dos 60% do rendimento mediano definido pelo Eurostat para o nosso país “São 21% de portugueses com condições de exclusão social, o que quer dizer que há um em cinco sem condições básicas de sobrevivência”. Mas a vice-presidente da comissão nacional está convencida que “se não houvesse políticas sociais para acabar com o fenómeno os números seriam ainda mais dramáticos”.

Manuela Silva pede mais estudos sobre a exclusão social, porque “os que existem são raros”, não havendo nenhum que “apresente dados descentralizados por regiões”, nem estudos que “mostrem ou não a eficácia das políticas públicas, sobretudo ao nível da macro economia”. É que o conhecimento, “o mais real possível, de toda esta problemática” levará à adopção de políticas mais concretas e eficazes.

“A exclusão social deve ser colocada no topo da agenda política e deve ser transversal a todas as políticas públicas” deixando de ser “como actualmente vectorial”, rematou.

Passar da teoria à pratica

Eveline Herfkens, coordenadora da campanha “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” da ONU disse, ontem, numa conferência organizada pela Oikos, que as “bonitas palavras” frequentemente ditas pelos governos dos países desenvolvidos têm de ter uma tradução concreta. O que significará menos conversa e mais acção. Porque a ajuda ao países subdesenvolvidos “é essencial” para que eles possam sair do estado de pobreza em que estão mergulhados; e sem ajuda económica concreta, por mais que se esforçem, “nunca poderão sair” do estado de profunda depressão em que vivem.

Actualmente, cerca de 1,2 mil milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia.

Pedro Antunes Pereira, Jornal de Notícias.


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