Exclusão Social Compromete futuro

 

Baixa ou nenhuma escolaridade, desemprego e alcoolismo. Este é o tripé da miséria em Macapá. Milhares de famílias vivem abaixo do nível de pobreza em palafitas construídas sobre alagados na periferia da capital amapaense. Como nada têm para oferecer, pouco ou nada recebem. Sobrevivem, apenas, com o que conseguem ganhar em “bicos” eventuais ou quando são atendidos por alguma entidade filantrópica.Esse quadro de exclusão social vem atingindo mortalmente uma geração completa de Amapaenses.      

Este é o alerta de David Vinolte Galúsio, presidente da organização não-governamental “Jovens com uma missão” (JOCUM), localizada na avenida Cora de Carvalho, 254, Centro de Macapá. Criada em 1998 para atender crianças e adolescentes que estejam em situação de risco ou de alto risco, a JOCUM vem sobrevivendo com muita dificuldade, em especial porque não tem nenhum apoio dos governos municipal e estadual. Conforme Galúsio, “desde o final dos anos 90 a ONG não recebe nenhum recurso, ou ajuda técnica, do GEAP”. Existem projetos, prossegue ele, mas nunca saem do papel. “Agora, desistimos. Cansamos de correr atrás”, confessa, resignado, o presidente da JOCUM.

As cifras de mortalidade infantil e de crescimento biométrico no Amapá, adverte Galúsio, estão em desvantagem com relação a Estados menos industrializados, bem como as taxas de escolarização e de assistência social. “Somente com a união de todas as entidades que atuam com a causa dos menores de rua na cidade de Macapá será possível mudar esse quadro de abandono”.

Embora gerindo recursos ínfimos, obtidos com doações individuais ou por meio de igrejas evangélicas, David Galúsio já conseguiu tirar das ruas centenas de meninas e meninos desesperançados e sem perspectivas. “Nós não somos beneficiados por nenhum convênio, mas ainda assim oferecemos programas sócio-educativos e familiares, cursos intensivos em informática, aprendizagem de tricô, crochê, entalhamento (desenho em madeira), pinturas de pano de prato, copos, arte em papel e corda. As mães dos menores também podem aprender um desses ofícios e, com isso, garantir uma renda extra”.

Escrita por: Emanuel Reis
19 de Maio de 2004 as 00:00



 

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